ANSIEDADE

Quando a preocupação passa a ocupar espaço demais

Sentir ansiedade antes de uma prova, uma entrevista ou uma conversa difícil é natural. Ela vira um problema quando aparece com frequência, com intensidade desproporcional ou quando começa a limitar o que você faz no dia a dia.

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ENTENDENDO O TEMA

O que é ansiedade?

A ansiedade é uma resposta do corpo e da mente a situações percebidas como ameaçadoras. Em excesso, ela mantém o organismo em alerta mesmo quando não há perigo real, e os pensamentos passam a girar em torno do que pode dar errado.

Ela pode se manifestar de formas diferentes: preocupação constante, crises intensas de medo, desconforto em situações sociais ou evitação de lugares e atividades.

SINAIS DE ATENÇÃO

Quando vale buscar ajuda

Preocupação difícil de controlar, que ocupa boa parte do dia
Inquietação, tensão muscular ou sensação de estar sempre no limite
Coração acelerado, falta de ar ou aperto no peito sem causa física
Dificuldade para dormir ou sono que não descansa
Evitar situações, lugares ou pessoas por medo do que pode acontecer
Irritabilidade e dificuldade de concentração

Esses sinais servem como orientação e não substituem uma avaliação profissional. Cada pessoa é única, e só uma conversa cuidadosa permite entender o seu caso.

TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

Como a TCC pode ajudar

O acompanhamento é construído com você, com objetivos claros e estratégias práticas. Presencial em Campina Grande — PB ou online para todo o Brasil.

  1. Entender o ciclo da ansiedade: o que dispara, o que você pensa e sente, e o que faz em seguida
  2. Identificar pensamentos catastróficos e construir interpretações mais realistas
  3. Aprender técnicas de respiração e regulação para os momentos de pico
  4. Enfrentar de forma gradual e segura as situações que hoje são evitadas
PARA SE APROFUNDAR · DSM-5-TR

Quadros relacionados a ansiedade

No DSM-5-TR, os transtornos de ansiedade formam um capítulo próprio. Eles têm em comum medo e ansiedade excessivos e persistentes, e se diferenciam pelo tipo de situação que os dispara. O transtorno obsessivo-compulsivo e o transtorno de estresse pós-traumático, antes agrupados aqui, passaram a ter capítulos próprios.

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

Preocupação excessiva e difícil de controlar sobre diversos assuntos, na maioria dos dias, por pelo menos seis meses, acompanhada de sintomas como tensão muscular, fadiga, irritabilidade e alterações do sono.

Transtorno de pânico

Ataques de pânico recorrentes e inesperados, com pico de medo intenso em minutos e sintomas físicos marcantes, seguidos de preocupação persistente com novos ataques ou mudanças de comportamento para evitá-los.

Agorafobia

Medo ou ansiedade em situações das quais pode ser difícil escapar ou obter ajuda, como transporte público, lugares abertos ou fechados, filas e multidões, levando à evitação.

Transtorno de ansiedade social

Medo intenso de situações em que a pessoa pode ser avaliada pelos outros, como conversar, comer em público ou se apresentar, por receio de agir de forma humilhante ou constrangedora.

Fobia específica

Medo desproporcional e imediato diante de um objeto ou situação específica, como animais, altura, sangue ou voar. Veja também a página Fobias e traumas.

Transtorno de ansiedade de separação

Medo ou ansiedade excessivos em relação ao afastamento de figuras de apego. É mais frequente na infância, mas também pode ocorrer em adultos.

Ansiedade induzida por substância ou devida a outra condição médica

Quando os sintomas decorrem de uma substância, de um medicamento ou de uma condição clínica, como alterações da tireoide. Por isso a avaliação inclui sempre o contexto de saúde.

Estas descrições são resumos educativos do DSM-5-TR (Associação Americana de Psiquiatria, 2023). Só um profissional habilitado pode fazer um diagnóstico, depois de uma avaliação cuidadosa. Ter alguns desses sinais não significa ter um transtorno.

BASE CIENTÍFICA

O que a ciência explica

Modelos da terapia cognitiva, da análise do comportamento, da ativação comportamental, da neurociência e da neuropsicologia ajudam a entender o que mantém o sofrimento e o que ajuda a mudar.

Modelo cognitivo

Aaron Beck e David A. Clark descrevem a ansiedade como resultado de uma avaliação de ameaça exagerada combinada com a percepção de poucos recursos para enfrentá-la (Clark & Beck, 2012). No pânico, sensações corporais normais são interpretadas de forma catastrófica, como sinal de infarto ou de perder o controle, o que aumenta a ativação e fecha um ciclo (Clark, 1986). No TAG, a preocupação funciona como uma tentativa de controle que reduz o desconforto no curto prazo, mas mantém o problema (Borkovec, Alcaine & Behar, 2004).

Análise do comportamento

A teoria dos dois fatores de Mowrer explica por que a ansiedade se mantém: o medo é aprendido por associação, e a evitação é reforçada porque traz alívio imediato. O efeito colateral é que a pessoa nunca tem a chance de aprender que a situação é segura. A abordagem de aprendizagem inibitória mostra que a exposição funciona quando cria novas aprendizagens que competem com o medo original (Craske et al., 2014).

Neurociência e neuropsicologia

A amígdala participa da detecção rápida de ameaças e dispara reações de defesa antes mesmo de uma avaliação consciente (LeDoux, 1996). O córtex pré-frontal ajuda a regular essa resposta. Pessoas ansiosas tendem a dirigir a atenção mais rapidamente para estímulos de ameaça (Bar-Haim et al., 2007), e a ansiedade consome recursos de controle atencional, o que explica queixas de concentração e memória no dia a dia (Eysenck et al., 2007).

NA PRÁTICA CLÍNICA

Estratégias com respaldo científico

O plano é escolhido a partir da avaliação de cada pessoa. Estas são algumas das estratégias com mais evidências para este tema.

  • Psicoeducação sobre o ciclo da ansiedade e o papel da evitação
  • Reestruturação cognitiva de interpretações catastróficas (Beck; Clark)
  • Exposição gradual baseada em aprendizagem inibitória (Craske)
  • Treino de respiração e de regulação emocional
  • Prevenção de recaída e manejo de comportamentos de segurança
Referências científicas (11)
  • American Psychiatric Association. (2023). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR (5ª ed., texto revisado). Artmed.
  • Bar-Haim, Y., Lamy, D., Pergamin, L., Bakermans-Kranenburg, M. J., & van IJzendoorn, M. H. (2007). Threat-related attentional bias in anxious and nonanxious individuals: A meta-analytic study. Psychological Bulletin, 133(1), 1–24.
  • Beck, J. S. (2022). Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática (3ª ed.). Artmed.
  • Borkovec, T. D., Alcaine, O. M., & Behar, E. (2004). Avoidance theory of worry and generalized anxiety disorder. In R. G. Heimberg, C. L. Turk, & D. S. Mennin (Eds.), Generalized anxiety disorder: Advances in research and practice (pp. 77–108). Guilford.
  • Clark, D. A., & Beck, A. T. (2012). Terapia cognitiva para os transtornos de ansiedade. Artmed.
  • Clark, D. M. (1986). A cognitive approach to panic. Behaviour Research and Therapy, 24(4), 461–470.
  • Craske, M. G., Treanor, M., Conway, C. C., Zbozinek, T., & Vervliet, B. (2014). Maximizing exposure therapy: An inhibitory learning approach. Behaviour Research and Therapy, 58, 10–23.
  • Eysenck, M. W., Derakshan, N., Santos, R., & Calvo, M. G. (2007). Anxiety and cognitive performance: Attentional control theory. Emotion, 7(2), 336–353.
  • Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J. J., Sawyer, A. T., & Fang, A. (2012). The efficacy of cognitive behavioral therapy: A review of meta-analyses. Cognitive Therapy and Research, 36(5), 427–440.
  • LeDoux, J. E. (1996). The emotional brain. Simon & Schuster.
  • Mowrer, O. H. (1960). Learning theory and behavior. Wiley.
DÚVIDAS FREQUENTES

Perguntas sobre ansiedade

Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens com mais pesquisas sobre ansiedade. O ritmo e a duração do acompanhamento variam de pessoa para pessoa e são combinados com você.
Nem sempre. Quem prescreve medicação é o médico, geralmente o psiquiatra. Quando faz sentido, a terapia pode caminhar junto com o acompanhamento médico.

Vamos conversar sobre o que você está vivendo?

Psicólogo Marcos Gonçalves — CRP 13/13951. Escuta qualificada, sem julgamentos, unindo ciência e cuidado humano.

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