A depressão vai além de um dia triste. É um estado que se prolonga, tira o interesse pelas coisas e muda a forma como a pessoa enxerga a si mesma, os outros e o futuro.
A depressão é uma condição de saúde que afeta humor, pensamento, energia e corpo. Ela não é fraqueza nem falta de força de vontade, e pode atingir pessoas de qualquer idade.
Muitas vezes ela se instala aos poucos, e a pessoa só percebe quando já deixou de fazer coisas que antes eram importantes.
Esses sinais servem como orientação e não substituem uma avaliação profissional. Cada pessoa é única, e só uma conversa cuidadosa permite entender o seu caso.
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No DSM-5-TR, os transtornos depressivos têm em comum humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações no corpo e no pensamento que afetam a vida da pessoa. O transtorno bipolar fica em outro capítulo, e diferenciá-lo da depressão é uma parte importante da avaliação.
Pelo menos duas semanas de humor deprimido ou perda de interesse e prazer, junto com outros sintomas como alterações de sono e apetite, fadiga, culpa excessiva, dificuldade de concentração e pensamentos de morte.
Humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos dois anos em adultos. Os sintomas costumam ser menos intensos, mas duradouros.
Sintomas de humor, como irritabilidade, tristeza e ansiedade, que aparecem na semana anterior à menstruação e melhoram poucos dias após o seu início.
Diagnóstico da infância, com explosões de raiva frequentes e humor irritável persistente entre elas.
Quando o quadro decorre de substâncias, medicamentos ou condições clínicas, como hipotireoidismo, o que reforça a importância da avaliação médica junto com a psicológica.
O DSM-5-TR também descreve características do episódio, como sintomas ansiosos, padrão sazonal e início no periparto (gestação e pós-parto).
Estas descrições são resumos educativos do DSM-5-TR (Associação Americana de Psiquiatria, 2023). Só um profissional habilitado pode fazer um diagnóstico, depois de uma avaliação cuidadosa. Ter alguns desses sinais não significa ter um transtorno.
Modelos da terapia cognitiva, da análise do comportamento, da ativação comportamental, da neurociência e da neuropsicologia ajudam a entender o que mantém o sofrimento e o que ajuda a mudar.
Aaron Beck descreveu a tríade cognitiva da depressão: uma visão negativa de si, do mundo e do futuro (Beck et al., 1979). Crenças centrais de desamparo ou desvalor, ativadas por situações de perda ou estresse, geram pensamentos automáticos negativos e distorções como generalização e pensamento tudo-ou-nada, que mantêm o humor deprimido.
Ferster (1973) e Lewinsohn (1974) mostraram que a depressão se relaciona com a perda de reforçadores positivos no ambiente: a pessoa faz menos coisas que trazem prazer ou sentido, sente-se pior e se retrai ainda mais. A ativação comportamental (Martell, Addis & Jacobson, 2001) quebra esse ciclo, e em estudos comparativos teve resultados semelhantes aos da terapia cognitiva completa e da medicação em depressões moderadas a graves (Dimidjian et al., 2006).
Estudos de neuroimagem relacionam os vieses cognitivos descritos por Beck a uma maior reatividade da amígdala e a uma regulação reduzida do córtex pré-frontal (Disner et al., 2011). A perda de interesse e prazer (anedonia) envolve alterações nos circuitos de recompensa e de motivação (Treadway & Zald, 2011). Uma meta-análise também encontrou prejuízos em funções executivas, como memória de trabalho e flexibilidade, em pessoas com depressão maior (Snyder, 2013), o que ajuda a explicar a sensação de lentidão e dificuldade de decidir.
O plano é escolhido a partir da avaliação de cada pessoa. Estas são algumas das estratégias com mais evidências para este tema.