DEPRESSÃO

Quando tudo parece pesado demais para começar

A depressão vai além de um dia triste. É um estado que se prolonga, tira o interesse pelas coisas e muda a forma como a pessoa enxerga a si mesma, os outros e o futuro.

Primeiro contato pelo WhatsApp, com resposta rápida
ENTENDENDO O TEMA

O que é depressão?

A depressão é uma condição de saúde que afeta humor, pensamento, energia e corpo. Ela não é fraqueza nem falta de força de vontade, e pode atingir pessoas de qualquer idade.

Muitas vezes ela se instala aos poucos, e a pessoa só percebe quando já deixou de fazer coisas que antes eram importantes.

SINAIS DE ATENÇÃO

Quando vale buscar ajuda

Tristeza ou vazio na maior parte dos dias, por semanas
Perda de interesse ou prazer em atividades de que gostava
Cansaço constante e falta de energia para tarefas simples
Alterações no sono ou no apetite
Sentimento de culpa, inutilidade ou de ser um peso
Dificuldade de concentração e de tomar decisões

Esses sinais servem como orientação e não substituem uma avaliação profissional. Cada pessoa é única, e só uma conversa cuidadosa permite entender o seu caso.

Se você estiver em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, procure ajuda agora: ligue para o CVV no 188 (gratuito, 24 horas), para o SAMU no 192 ou vá ao pronto-socorro mais próximo.
TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

Como a TCC pode ajudar

O acompanhamento é construído com você, com objetivos claros e estratégias práticas. Presencial em Campina Grande — PB ou online para todo o Brasil.

  1. Retomar aos poucos atividades que trazem sentido e prazer (ativação comportamental)
  2. Identificar pensamentos automáticos negativos sobre si, os outros e o futuro
  3. Construir uma rotina possível, respeitando o seu momento
  4. Fortalecer a rede de apoio e planejar como lidar com recaídas
PARA SE APROFUNDAR · DSM-5-TR

Quadros relacionados a depressão

No DSM-5-TR, os transtornos depressivos têm em comum humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações no corpo e no pensamento que afetam a vida da pessoa. O transtorno bipolar fica em outro capítulo, e diferenciá-lo da depressão é uma parte importante da avaliação.

Transtorno depressivo maior

Pelo menos duas semanas de humor deprimido ou perda de interesse e prazer, junto com outros sintomas como alterações de sono e apetite, fadiga, culpa excessiva, dificuldade de concentração e pensamentos de morte.

Transtorno depressivo persistente (distimia)

Humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos dois anos em adultos. Os sintomas costumam ser menos intensos, mas duradouros.

Transtorno disfórico pré-menstrual

Sintomas de humor, como irritabilidade, tristeza e ansiedade, que aparecem na semana anterior à menstruação e melhoram poucos dias após o seu início.

Transtorno disruptivo da desregulação do humor

Diagnóstico da infância, com explosões de raiva frequentes e humor irritável persistente entre elas.

Depressão induzida por substância ou devida a outra condição médica

Quando o quadro decorre de substâncias, medicamentos ou condições clínicas, como hipotireoidismo, o que reforça a importância da avaliação médica junto com a psicológica.

Especificadores

O DSM-5-TR também descreve características do episódio, como sintomas ansiosos, padrão sazonal e início no periparto (gestação e pós-parto).

Estas descrições são resumos educativos do DSM-5-TR (Associação Americana de Psiquiatria, 2023). Só um profissional habilitado pode fazer um diagnóstico, depois de uma avaliação cuidadosa. Ter alguns desses sinais não significa ter um transtorno.

BASE CIENTÍFICA

O que a ciência explica

Modelos da terapia cognitiva, da análise do comportamento, da ativação comportamental, da neurociência e da neuropsicologia ajudam a entender o que mantém o sofrimento e o que ajuda a mudar.

Modelo cognitivo

Aaron Beck descreveu a tríade cognitiva da depressão: uma visão negativa de si, do mundo e do futuro (Beck et al., 1979). Crenças centrais de desamparo ou desvalor, ativadas por situações de perda ou estresse, geram pensamentos automáticos negativos e distorções como generalização e pensamento tudo-ou-nada, que mantêm o humor deprimido.

Análise do comportamento e ativação comportamental

Ferster (1973) e Lewinsohn (1974) mostraram que a depressão se relaciona com a perda de reforçadores positivos no ambiente: a pessoa faz menos coisas que trazem prazer ou sentido, sente-se pior e se retrai ainda mais. A ativação comportamental (Martell, Addis & Jacobson, 2001) quebra esse ciclo, e em estudos comparativos teve resultados semelhantes aos da terapia cognitiva completa e da medicação em depressões moderadas a graves (Dimidjian et al., 2006).

Neurociência e neuropsicologia

Estudos de neuroimagem relacionam os vieses cognitivos descritos por Beck a uma maior reatividade da amígdala e a uma regulação reduzida do córtex pré-frontal (Disner et al., 2011). A perda de interesse e prazer (anedonia) envolve alterações nos circuitos de recompensa e de motivação (Treadway & Zald, 2011). Uma meta-análise também encontrou prejuízos em funções executivas, como memória de trabalho e flexibilidade, em pessoas com depressão maior (Snyder, 2013), o que ajuda a explicar a sensação de lentidão e dificuldade de decidir.

NA PRÁTICA CLÍNICA

Estratégias com respaldo científico

O plano é escolhido a partir da avaliação de cada pessoa. Estas são algumas das estratégias com mais evidências para este tema.

  • Ativação comportamental com monitoramento de atividades e humor
  • Identificação e reestruturação de pensamentos automáticos (Beck)
  • Trabalho com crenças centrais de desvalor e desamparo
  • Resolução de problemas e reconstrução da rotina
  • Plano de prevenção de recaída e articulação com acompanhamento médico quando indicado
Referências científicas (12)
  • American Psychiatric Association. (2023). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR (5ª ed., texto revisado). Artmed.
  • Beck, A. T., Rush, A. J., Shaw, B. F., & Emery, G. (1979). Cognitive therapy of depression. Guilford.
  • Beck, J. S. (2022). Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática (3ª ed.). Artmed.
  • Cuijpers, P., Berking, M., Andersson, G., Quigley, L., Kleiboer, A., & Dobson, K. S. (2013). A meta-analysis of cognitive-behavioural therapy for adult depression, alone and in comparison with other treatments. Canadian Journal of Psychiatry, 58(7), 376–385.
  • Dimidjian, S., Hollon, S. D., Dobson, K. S., Schmaling, K. B., Kohlenberg, R. J., Addis, M. E., ... Jacobson, N. S. (2006). Randomized trial of behavioral activation, cognitive therapy, and antidepressant medication in the acute treatment of adults with major depression. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(4), 658–670.
  • Disner, S. G., Beevers, C. G., Haigh, E. A. P., & Beck, A. T. (2011). Neural mechanisms of the cognitive model of depression. Nature Reviews Neuroscience, 12(8), 467–477.
  • Ferster, C. B. (1973). A functional analysis of depression. American Psychologist, 28(10), 857–870.
  • Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J. J., Sawyer, A. T., & Fang, A. (2012). The efficacy of cognitive behavioral therapy: A review of meta-analyses. Cognitive Therapy and Research, 36(5), 427–440.
  • Lewinsohn, P. M. (1974). A behavioral approach to depression. In R. J. Friedman & M. M. Katz (Eds.), The psychology of depression: Contemporary theory and research (pp. 157–178). Winston-Wiley.
  • Martell, C. R., Addis, M. E., & Jacobson, N. S. (2001). Depression in context: Strategies for guided action. Norton.
  • Snyder, H. R. (2013). Major depressive disorder is associated with broad impairments on neuropsychological measures of executive function: A meta-analysis and review. Psychological Bulletin, 139(1), 81–132.
  • Treadway, M. T., & Zald, D. H. (2011). Reconsidering anhedonia in depression: Lessons from translational neuroscience. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 35(3), 537–555.
DÚVIDAS FREQUENTES

Perguntas sobre depressão

Só uma avaliação profissional pode responder. Se os sinais duram semanas e atrapalham sua vida, vale conversar com um psicólogo ou médico.
Não. São cuidados complementares. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico é indicado junto com a terapia, e eu posso orientar esse encaminhamento.

Vamos conversar sobre o que você está vivendo?

Psicólogo Marcos Gonçalves — CRP 13/13951. Escuta qualificada, sem julgamentos, unindo ciência e cuidado humano.

Agendar consulta
OUTROS TEMAS

Conheça outros temas atendidos

Contato