TDAH

Quando a intenção existe, mas a execução escapa

Esquecer compromissos, perder o fio da conversa, deixar tarefas pela metade ou agir por impulso acontece com todo mundo de vez em quando. No TDAH, essas dificuldades são persistentes, começam cedo na vida e atrapalham os estudos, o trabalho e os relacionamentos.

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ENTENDENDO O TEMA

O que é tdah?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a atenção, o controle dos impulsos e a regulação da atividade. Ele não é preguiça, falta de caráter nem falta de esforço: envolve diferenças no funcionamento de redes cerebrais ligadas às funções executivas e à motivação.

Em adolescentes e adultos, a hiperatividade costuma aparecer mais como inquietação interna, e as queixas mais comuns passam a ser desorganização, procrastinação, dificuldade de manter o foco em tarefas longas e de administrar o tempo.

Como desatenção também aparece na ansiedade, na depressão, em problemas de sono e em outras condições, o diagnóstico depende de uma avaliação cuidadosa. A avaliação neuropsicológica, que realizo no consultório, pode contribuir para esse entendimento ao lado da avaliação médica.

SINAIS DE ATENÇÃO

Quando vale buscar ajuda

Dificuldade de manter a atenção em leituras, reuniões ou tarefas longas
Esquecimentos frequentes de compromissos, prazos e objetos
Procrastinação e dificuldade de começar ou terminar tarefas
Desorganização com tempo, materiais e prioridades
Impulsividade ao falar, decidir ou gastar, e dificuldade de esperar
Inquietação, sensação de motor ligado ou tédio muito rápido

Esses sinais servem como orientação e não substituem uma avaliação profissional. Cada pessoa é única, e só uma conversa cuidadosa permite entender o seu caso.

TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

Como a TCC pode ajudar

O acompanhamento é construído com você, com objetivos claros e estratégias práticas. Presencial em Campina Grande — PB ou online para todo o Brasil.

  1. Investigar, com avaliação neuropsicológica quando indicada, como funcionam sua atenção e suas funções executivas
  2. Construir sistemas práticos de organização, planejamento e gestão do tempo
  3. Trabalhar pensamentos que alimentam a procrastinação e a autocrítica acumulada ao longo dos anos
  4. Desenvolver estratégias para lidar com impulsividade e regular emoções no dia a dia
PARA SE APROFUNDAR · DSM-5-TR

Quadros relacionados a tdah

No DSM-5-TR, o TDAH faz parte do capítulo dos transtornos do neurodesenvolvimento. Os sintomas precisam estar presentes por pelo menos seis meses, vários deles antes dos 12 anos, em dois ou mais contextos (como casa, escola ou trabalho), e prejudicar o funcionamento. A partir dos 17 anos, são exigidos cinco sintomas em um dos grupos, em vez de seis. O manual também orienta descartar outras explicações, como ansiedade, depressão ou uso de substâncias, e admite que TDAH e autismo ocorram juntos.

Apresentação combinada

Critérios de desatenção e de hiperatividade-impulsividade preenchidos nos últimos seis meses.

Apresentação predominantemente desatenta

Critérios de desatenção preenchidos, como errar por descuido, dificuldade de manter o foco, não seguir instruções até o fim, desorganização, perder objetos e esquecimentos, sem preencher os de hiperatividade-impulsividade.

Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva

Critérios de hiperatividade-impulsividade preenchidos, como inquietação, dificuldade de permanecer sentado, falar demais, responder antes da hora e interromper os outros, sem preencher os de desatenção.

Especificadores

O DSM-5-TR indica a gravidade atual (leve, moderada ou grave) e permite registrar remissão parcial, quando os critérios já foram preenchidos no passado e hoje há menos sintomas, mas ainda com prejuízo.

Outro TDAH especificado ou não especificado

Usado quando há sintomas característicos com prejuízo importante, mas sem todos os critérios completos.

Estas descrições são resumos educativos do DSM-5-TR (Associação Americana de Psiquiatria, 2023). Só um profissional habilitado pode fazer um diagnóstico, depois de uma avaliação cuidadosa. Ter alguns desses sinais não significa ter um transtorno.

BASE CIENTÍFICA

O que a ciência explica

Modelos da terapia cognitiva, da análise do comportamento, da ativação comportamental, da neurociência e da neuropsicologia ajudam a entender o que mantém o sofrimento e o que ajuda a mudar.

Modelo cognitivo-comportamental

Os modelos de TCC para adultos com TDAH partem da ideia de que as dificuldades executivas impedem o uso consistente de habilidades de organização e planejamento. Com os anos, acumulam-se fracassos, críticas e crenças como sou incapaz ou nunca termino nada, que alimentam evitação e procrastinação (Ramsay & Rostain, 2015). Em um ensaio clínico com adultos que ainda tinham sintomas apesar da medicação, a TCC focada em organização, planejamento, redução de distrações e reestruturação de pensamentos teve resultados superiores ao grupo de comparação (Safren et al., 2010).

Análise do comportamento

Na perspectiva comportamental, pessoas com TDAH são mais sensíveis ao intervalo entre a ação e a consequência: recompensas imediatas pesam mais, e consequências distantes, como um prazo daqui a um mês, controlam pouco o comportamento (Sagvolden et al., 2005). O modelo de dupla via de Sonuga-Barke (2002) acrescenta a aversão à espera como um caminho motivacional, ao lado do déficit de controle inibitório. Por isso, estratégias que aproximam as consequências e tornam o ambiente mais estruturado costumam funcionar melhor do que contar apenas com força de vontade.

Neurociência e neuropsicologia

Barkley (1997) propôs que o núcleo do TDAH é uma dificuldade de inibição comportamental, que compromete funções executivas como memória de trabalho, autorregulação e planejamento. Meta-análises confirmam prejuízos executivos em média, mas mostram que nem todas as pessoas com TDAH apresentam esse perfil, o que reforça a importância de avaliar cada caso individualmente (Willcutt et al., 2005). Estudos de neuroimagem indicam um atraso na maturação do córtex, especialmente em regiões pré-frontais (Shaw et al., 2007), e o consenso internacional da World Federation of ADHD reúne evidências de alta herdabilidade e de prejuízos ao longo da vida quando o quadro não é acompanhado (Faraone et al., 2021).

NA PRÁTICA CLÍNICA

Estratégias com respaldo científico

O plano é escolhido a partir da avaliação de cada pessoa. Estas são algumas das estratégias com mais evidências para este tema.

  • Avaliação neuropsicológica de atenção, memória de trabalho e funções executivas, quando indicada
  • Psicoeducação sobre o TDAH e sobre o papel das funções executivas
  • Treino de organização, planejamento e gestão do tempo com sistemas externos (Safren)
  • Reestruturação de pensamentos ligados à procrastinação e à autocrítica (Ramsay & Rostain)
  • Ajustes no ambiente e uso de consequências mais próximas, em articulação com o acompanhamento médico quando indicado
Referências científicas (11)
  • American Psychiatric Association. (2023). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR (5ª ed., texto revisado). Artmed.
  • Barkley, R. A. (1997). Behavioral inhibition, sustained attention, and executive functions: Constructing a unifying theory of ADHD. Psychological Bulletin, 121(1), 65–94.
  • Beck, J. S. (2022). Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática (3ª ed.). Artmed.
  • Faraone, S. V., Banaschewski, T., Coghill, D., Zheng, Y., Biederman, J., Bellgrove, M. A., ... Wang, Y. (2021). The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 evidence-based conclusions about the disorder. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 128, 789–818.
  • Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J. J., Sawyer, A. T., & Fang, A. (2012). The efficacy of cognitive behavioral therapy: A review of meta-analyses. Cognitive Therapy and Research, 36(5), 427–440.
  • Ramsay, J. R., & Rostain, A. L. (2015). Cognitive-behavioral therapy for adult ADHD: An integrative psychosocial and medical approach (2nd ed.). Routledge.
  • Safren, S. A., Sprich, S., Mimiaga, M. J., Surman, C., Knouse, L., Groves, M., & Otto, M. W. (2010). Cognitive behavioral therapy vs relaxation with educational support for medication-treated adults with ADHD and persistent symptoms: A randomized controlled trial. JAMA, 304(8), 875–880.
  • Sagvolden, T., Johansen, E. B., Aase, H., & Russell, V. A. (2005). A dynamic developmental theory of attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD) predominantly hyperactive/impulsive and combined subtypes. Behavioral and Brain Sciences, 28(3), 397–419.
  • Shaw, P., Eckstrand, K., Sharp, W., Blumenthal, J., Lerch, J. P., Greenstein, D., ... Rapoport, J. L. (2007). Attention-deficit/hyperactivity disorder is characterized by a delay in cortical maturation. Proceedings of the National Academy of Sciences, 104(49), 19649–19654.
  • Sonuga-Barke, E. J. S. (2002). Psychological heterogeneity in AD/HD: A dual pathway model of behaviour and cognition. Behavioural Brain Research, 130(1–2), 29–36.
  • Willcutt, E. G., Doyle, A. E., Nigg, J. T., Faraone, S. V., & Pennington, B. F. (2005). Validity of the executive function theory of attention-deficit/hyperactivity disorder: A meta-analytic review. Biological Psychiatry, 57(11), 1336–1346.
DÚVIDAS FREQUENTES

Perguntas sobre tdah

Sim. O TDAH começa na infância, mas em muitas pessoas os sintomas continuam na vida adulta. Às vezes o quadro só é percebido quando as exigências de estudo, trabalho ou família aumentam.
A avaliação neuropsicológica descreve o funcionamento da atenção, da memória e das funções executivas e é um apoio importante. O diagnóstico de TDAH é clínico e considera também a história de vida e a observação de outros profissionais, como o psiquiatra ou o neurologista.
Não necessariamente. A medicação é indicada e acompanhada pelo médico. A Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar a desenvolver estratégias e hábitos que a medicação sozinha não ensina, e as duas podem caminhar juntas.

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Psicólogo Marcos Gonçalves — CRP 13/13951. Escuta qualificada, sem julgamentos, unindo ciência e cuidado humano.

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