Esquecer compromissos, perder o fio da conversa, deixar tarefas pela metade ou agir por impulso acontece com todo mundo de vez em quando. No TDAH, essas dificuldades são persistentes, começam cedo na vida e atrapalham os estudos, o trabalho e os relacionamentos.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a atenção, o controle dos impulsos e a regulação da atividade. Ele não é preguiça, falta de caráter nem falta de esforço: envolve diferenças no funcionamento de redes cerebrais ligadas às funções executivas e à motivação.
Em adolescentes e adultos, a hiperatividade costuma aparecer mais como inquietação interna, e as queixas mais comuns passam a ser desorganização, procrastinação, dificuldade de manter o foco em tarefas longas e de administrar o tempo.
Como desatenção também aparece na ansiedade, na depressão, em problemas de sono e em outras condições, o diagnóstico depende de uma avaliação cuidadosa. A avaliação neuropsicológica, que realizo no consultório, pode contribuir para esse entendimento ao lado da avaliação médica.
Esses sinais servem como orientação e não substituem uma avaliação profissional. Cada pessoa é única, e só uma conversa cuidadosa permite entender o seu caso.
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No DSM-5-TR, o TDAH faz parte do capítulo dos transtornos do neurodesenvolvimento. Os sintomas precisam estar presentes por pelo menos seis meses, vários deles antes dos 12 anos, em dois ou mais contextos (como casa, escola ou trabalho), e prejudicar o funcionamento. A partir dos 17 anos, são exigidos cinco sintomas em um dos grupos, em vez de seis. O manual também orienta descartar outras explicações, como ansiedade, depressão ou uso de substâncias, e admite que TDAH e autismo ocorram juntos.
Critérios de desatenção e de hiperatividade-impulsividade preenchidos nos últimos seis meses.
Critérios de desatenção preenchidos, como errar por descuido, dificuldade de manter o foco, não seguir instruções até o fim, desorganização, perder objetos e esquecimentos, sem preencher os de hiperatividade-impulsividade.
Critérios de hiperatividade-impulsividade preenchidos, como inquietação, dificuldade de permanecer sentado, falar demais, responder antes da hora e interromper os outros, sem preencher os de desatenção.
O DSM-5-TR indica a gravidade atual (leve, moderada ou grave) e permite registrar remissão parcial, quando os critérios já foram preenchidos no passado e hoje há menos sintomas, mas ainda com prejuízo.
Usado quando há sintomas característicos com prejuízo importante, mas sem todos os critérios completos.
Estas descrições são resumos educativos do DSM-5-TR (Associação Americana de Psiquiatria, 2023). Só um profissional habilitado pode fazer um diagnóstico, depois de uma avaliação cuidadosa. Ter alguns desses sinais não significa ter um transtorno.
Modelos da terapia cognitiva, da análise do comportamento, da ativação comportamental, da neurociência e da neuropsicologia ajudam a entender o que mantém o sofrimento e o que ajuda a mudar.
Os modelos de TCC para adultos com TDAH partem da ideia de que as dificuldades executivas impedem o uso consistente de habilidades de organização e planejamento. Com os anos, acumulam-se fracassos, críticas e crenças como sou incapaz ou nunca termino nada, que alimentam evitação e procrastinação (Ramsay & Rostain, 2015). Em um ensaio clínico com adultos que ainda tinham sintomas apesar da medicação, a TCC focada em organização, planejamento, redução de distrações e reestruturação de pensamentos teve resultados superiores ao grupo de comparação (Safren et al., 2010).
Na perspectiva comportamental, pessoas com TDAH são mais sensíveis ao intervalo entre a ação e a consequência: recompensas imediatas pesam mais, e consequências distantes, como um prazo daqui a um mês, controlam pouco o comportamento (Sagvolden et al., 2005). O modelo de dupla via de Sonuga-Barke (2002) acrescenta a aversão à espera como um caminho motivacional, ao lado do déficit de controle inibitório. Por isso, estratégias que aproximam as consequências e tornam o ambiente mais estruturado costumam funcionar melhor do que contar apenas com força de vontade.
Barkley (1997) propôs que o núcleo do TDAH é uma dificuldade de inibição comportamental, que compromete funções executivas como memória de trabalho, autorregulação e planejamento. Meta-análises confirmam prejuízos executivos em média, mas mostram que nem todas as pessoas com TDAH apresentam esse perfil, o que reforça a importância de avaliar cada caso individualmente (Willcutt et al., 2005). Estudos de neuroimagem indicam um atraso na maturação do córtex, especialmente em regiões pré-frontais (Shaw et al., 2007), e o consenso internacional da World Federation of ADHD reúne evidências de alta herdabilidade e de prejuízos ao longo da vida quando o quadro não é acompanhado (Faraone et al., 2021).
O plano é escolhido a partir da avaliação de cada pessoa. Estas são algumas das estratégias com mais evidências para este tema.