Ter medo faz parte de ser humano. Mas quando um medo é intenso, desproporcional ou quando uma experiência difícil continua voltando à memória, a vida começa a ficar menor.
Fobias são medos intensos e persistentes de situações, objetos ou lugares específicos, como altura, avião, animais, sangue ou falar em público. A pessoa costuma reconhecer que o medo é exagerado, mas não consegue controlá-lo.
Experiências traumáticas, como acidentes, violência ou perdas repentinas, podem deixar marcas que aparecem como lembranças invasivas, sobressaltos e evitação de tudo que lembre o ocorrido.
Esses sinais servem como orientação e não substituem uma avaliação profissional. Cada pessoa é única, e só uma conversa cuidadosa permite entender o seu caso.
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Fobias fazem parte do capítulo de transtornos de ansiedade do DSM-5-TR. Já as reações a eventos traumáticos e estressores têm um capítulo próprio, que exige a exposição a um acontecimento marcante como ponto de partida.
Medo intenso e imediato de um objeto ou situação, quase sempre evitado ou suportado com grande sofrimento. O DSM-5-TR descreve cinco tipos: animal, ambiente natural (altura, tempestade, água), sangue-injeção-ferimentos, situacional (avião, elevador, lugares fechados) e outros.
Medos ligados a situações de avaliação social ou a lugares dos quais seria difícil sair. Veja também a página Ansiedade.
Após exposição a morte, ameaça de morte, ferimento grave ou violência, surgem lembranças invasivas, evitação, alterações negativas de pensamento e humor e estado de alerta aumentado, por mais de um mês.
Sintomas semelhantes aos do TEPT que aparecem entre três dias e um mês após o evento traumático.
Sofrimento emocional ou mudanças de comportamento desproporcionais diante de um estressor identificável, como separação, demissão ou mudança, iniciados até três meses após o evento.
Estas descrições são resumos educativos do DSM-5-TR (Associação Americana de Psiquiatria, 2023). Só um profissional habilitado pode fazer um diagnóstico, depois de uma avaliação cuidadosa. Ter alguns desses sinais não significa ter um transtorno.
Modelos da terapia cognitiva, da análise do comportamento, da ativação comportamental, da neurociência e da neuropsicologia ajudam a entender o que mantém o sofrimento e o que ajuda a mudar.
Ehlers e Clark (2000) explicam que o TEPT se mantém quando a pessoa interpreta o trauma e suas consequências como uma ameaça atual, e quando a memória do evento fica pouco integrada, voltando em fragmentos sensoriais. Estratégias como suprimir lembranças e evitar lugares mantêm esse quadro. A terapia de processamento cognitivo (Resick, Monson & Chard, 2017) trabalha crenças rígidas sobre segurança, culpa e confiança que surgem depois do trauma.
Medos são aprendidos por associação e mantidos pela evitação, que traz alívio imediato e impede novas aprendizagens. Foa e Kozak (1986) mostraram que o medo diminui quando a estrutura de medo é ativada e recebe informação corretiva, princípio da exposição. Na fobia específica, protocolos intensivos de exposição podem trazer bons resultados em poucas sessões (Öst, 1989).
O condicionamento de medo envolve a amígdala, e a extinção depende do córtex pré-frontal ventromedial e do hipocampo, que ajudam a situar a memória no tempo e no contexto (LeDoux, 1996). A teoria da dupla representação (Brewin, Dalgleish & Joseph, 1996) propõe que memórias traumáticas ficam armazenadas de forma mais sensorial e menos contextualizada, o que explica os flashbacks e a sensação de reviver o evento.
O plano é escolhido a partir da avaliação de cada pessoa. Estas são algumas das estratégias com mais evidências para este tema.