AUTOESTIMA

Quando a voz mais dura com você é a sua

Todo mundo tem dias de insegurança. A autoestima baixa é diferente: é uma opinião negativa e persistente sobre si mesmo, que aparece em muitas áreas da vida e influencia como você pensa, sente e se relaciona.

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ENTENDENDO O TEMA

O que é autoestima?

Autoestima é a avaliação geral que fazemos do nosso próprio valor. Ela se forma ao longo da vida, a partir de experiências na família, na escola, nos relacionamentos e no trabalho, e não é algo fixo: pode mudar.

Quando a autoestima é baixa, a pessoa tende a se criticar com dureza, a desconsiderar suas conquistas e a viver tentando compensar uma sensação de inadequação, seja evitando desafios, seja exigindo de si um desempenho perfeito. Baixa autoestima não é um diagnóstico, mas está ligada a quadros como depressão e ansiedade.

SINAIS DE ATENÇÃO

Quando vale buscar ajuda

Autocrítica constante e dificuldade de reconhecer qualidades e conquistas
Comparar-se com os outros e quase sempre sair perdendo
Medo intenso de errar, de ser rejeitado ou de decepcionar
Dificuldade de dizer não, expressar opiniões ou colocar limites
Evitar desafios, oportunidades ou relacionamentos por se sentir insuficiente
Precisar de aprovação externa para se sentir bem consigo mesmo

Esses sinais servem como orientação e não substituem uma avaliação profissional. Cada pessoa é única, e só uma conversa cuidadosa permite entender o seu caso.

TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

Como a TCC pode ajudar

O acompanhamento é construído com você, com objetivos claros e estratégias práticas. Presencial em Campina Grande — PB ou online para todo o Brasil.

  1. Identificar as crenças sobre si mesmo e entender como e quando elas se formaram
  2. Questionar pensamentos autocríticos e construir uma visão mais equilibrada e realista
  3. Desenvolver autocompaixão como alternativa à autocrítica
  4. Testar na prática novas formas de agir, como se posicionar, colocar limites e assumir desafios
PARA SE APROFUNDAR · DSM-5-TR

Quadros relacionados a autoestima

Autoestima baixa não é um diagnóstico e não aparece como transtorno no DSM-5-TR. Ela é considerada um fator transdiagnóstico: está presente em vários quadros clínicos e pode aumentar a vulnerabilidade a eles. Por isso, a avaliação busca entender se a autocrítica faz parte de algum desses quadros.

Transtorno depressivo maior

Entre os critérios do DSM-5-TR estão sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva. Estudos longitudinais indicam que a autoestima baixa tende a anteceder e prever sintomas depressivos (Sowislo & Orth, 2013).

Transtorno de ansiedade social

Medo intenso de ser avaliado negativamente pelos outros, frequentemente acompanhado de uma visão de si como inadequado ou inferior em situações sociais.

Anorexia nervosa e bulimia nervosa

O DSM-5-TR descreve a autoavaliação indevidamente influenciada pelo peso e pela forma corporal. Fairburn e colaboradores (2003) apontam a autoestima baixa como um dos fatores que mantêm esses quadros.

Transtorno da personalidade evitativa

Padrão persistente de inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade à avaliação negativa, em que a pessoa se vê como socialmente inapta ou inferior aos outros.

Quando procurar uma avaliação

Autocrítica intensa acompanhada de tristeza persistente, isolamento, mudanças no apetite ou no sono, ou pensamentos de morte merecem uma avaliação clínica. Só um profissional pode avaliar se há um quadro associado.

Estas descrições são resumos educativos do DSM-5-TR (Associação Americana de Psiquiatria, 2023). Só um profissional habilitado pode fazer um diagnóstico, depois de uma avaliação cuidadosa. Ter alguns desses sinais não significa ter um transtorno.

BASE CIENTÍFICA

O que a ciência explica

Modelos da terapia cognitiva, da análise do comportamento, da ativação comportamental, da neurociência e da neuropsicologia ajudam a entender o que mantém o sofrimento e o que ajuda a mudar.

Modelo cognitivo

Rosenberg (1965) definiu a autoestima como a atitude global, positiva ou negativa, de uma pessoa em relação a si mesma. Na terapia cognitiva, ela se relaciona às crenças centrais sobre si, como "não sou bom o bastante" (Beck, 2022). Fennell (1997) propôs que uma "linha de base" negativa, formada por experiências de vida, gera regras rígidas para compensá-la, como "preciso ser perfeito". Quando essas regras são ameaçadas, surgem previsões ansiosas, evitação e autocrítica, que confirmam a crença e mantêm o ciclo.

Desenvolvimento, análise do comportamento e autocompaixão

Harter (1999) mostrou que a autoestima se constrói ao longo do desenvolvimento, pela comparação entre o que a pessoa valoriza e como se percebe, e pelo apoio das pessoas significativas. A autoestima tende a mudar ao longo da vida, mas apresenta certa estabilidade (Orth & Robins, 2014). Do ponto de vista comportamental, a evitação traz alívio imediato, mas impede experiências que poderiam desmentir a crença negativa. Como buscar autoestima alta nem sempre traz os benefícios esperados (Baumeister et al., 2003), Neff (2003) propôs a autocompaixão, e Gilbert e Procter (2006) desenvolveram intervenções voltadas a pessoas com muita vergonha e autocrítica.

Neurociência e relações sociais

A hipótese do sociômetro propõe que a autoestima funciona como um monitor da aceitação social: ela cai quando percebemos risco de rejeição (Leary et al., 1995). Estudos de neuroimagem indicam que a exclusão social ativa regiões como o cíngulo anterior, também envolvidas na dor física (Eisenberger, Lieberman & Williams, 2003). O processamento de informações sobre si mesmo envolve estruturas da linha média do córtex, como o córtex pré-frontal medial (Northoff et al., 2006).

NA PRÁTICA CLÍNICA

Estratégias com respaldo científico

O plano é escolhido a partir da avaliação de cada pessoa. Estas são algumas das estratégias com mais evidências para este tema.

  • Conceitualização da autoestima baixa: linha de base, regras e ciclos de manutenção (Fennell)
  • Identificação e reestruturação de pensamentos autocríticos e crenças centrais (Beck)
  • Registro de qualidades e conquistas para equilibrar a atenção seletiva ao negativo
  • Experimentos comportamentais para reduzir a evitação e testar novas regras
  • Desenvolvimento da autocompaixão como alternativa à autocrítica (Neff; Gilbert)
Referências científicas (15)
  • American Psychiatric Association. (2023). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR (5ª ed., texto revisado). Artmed.
  • Baumeister, R. F., Campbell, J. D., Krueger, J. I., & Vohs, K. D. (2003). Does high self-esteem cause better performance, interpersonal success, happiness, or healthier lifestyles? Psychological Science in the Public Interest, 4(1), 1–44.
  • Beck, J. S. (2022). Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática (3ª ed.). Artmed.
  • Eisenberger, N. I., Lieberman, M. D., & Williams, K. D. (2003). Does rejection hurt? An fMRI study of social exclusion. Science, 302(5643), 290–292.
  • Fairburn, C. G., Cooper, Z., & Shafran, R. (2003). Cognitive behaviour therapy for eating disorders: A "transdiagnostic" theory and treatment. Behaviour Research and Therapy, 41(5), 509–528.
  • Fennell, M. J. V. (1997). Low self-esteem: A cognitive perspective. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 25(1), 1–26.
  • Gilbert, P., & Procter, S. (2006). Compassionate mind training for people with high shame and self-criticism: Overview and pilot study of a group therapy approach. Clinical Psychology & Psychotherapy, 13(6), 353–379.
  • Harter, S. (1999). The construction of the self: A developmental perspective. Guilford.
  • Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J. J., Sawyer, A. T., & Fang, A. (2012). The efficacy of cognitive behavioral therapy: A review of meta-analyses. Cognitive Therapy and Research, 36(5), 427–440.
  • Leary, M. R., Tambor, E. S., Terdal, S. K., & Downs, D. L. (1995). Self-esteem as an interpersonal monitor: The sociometer hypothesis. Journal of Personality and Social Psychology, 68(3), 518–530.
  • Neff, K. D. (2003). Self-compassion: An alternative conceptualization of a healthy attitude toward oneself. Self and Identity, 2(2), 85–101.
  • Northoff, G., Heinzel, A., de Greck, M., Bermpohl, F., Dobrowolny, H., & Panksepp, J. (2006). Self-referential processing in our brain: A meta-analysis of imaging studies on the self. NeuroImage, 31(1), 440–457.
  • Orth, U., & Robins, R. W. (2014). The development of self-esteem. Current Directions in Psychological Science, 23(5), 381–387.
  • Rosenberg, M. (1965). Society and the adolescent self-image. Princeton University Press.
  • Sowislo, J. F., & Orth, U. (2013). Does low self-esteem predict depression and anxiety? A meta-analysis of longitudinal studies. Psychological Bulletin, 139(1), 213–240.
DÚVIDAS FREQUENTES

Perguntas sobre autoestima

Não. Autoestima baixa não é um diagnóstico, mas pode causar sofrimento e estar associada a quadros como depressão e ansiedade. Uma avaliação ajuda a entender se há algo mais envolvido.
A autoestima não é fixa e pode mudar ao longo da vida. A terapia pode ajudar a entender a origem da autocrítica e a desenvolver uma relação mais equilibrada consigo mesmo, em um processo que respeita o seu tempo.
Não exatamente. Pesquisas mostram que o mais saudável é uma visão de si realista e estável, que não dependa de sucesso ou aprovação o tempo todo. Por isso a terapia também trabalha a autocompaixão.

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Psicólogo Marcos Gonçalves — CRP 13/13951. Escuta qualificada, sem julgamentos, unindo ciência e cuidado humano.

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